Islands with a view: Atlantic History em perspectiva insular
11.Nov.2009, 18:00 - ISCTE (Lisboa), Ala Autónoma, sala 229
José Damião Rodrigues* (Univ. dos Açores)
Este seminário faz parte do ciclo NOVAS PERSPECTIVAS EM HISTÓRIA MODERNA. Org: CEHCP e Departamento de História do ISCTE. Coord. cient: José Vicente Serrão.
Resumo:
Apesar de algumas das suas genealogias identificarem o estudo de Eric Williams
(1938) ou a proposta de Robert Roswell Palmer e Jacques Godechot (1955) como
contribuições pioneiras, foi sobretudo a partir da década de 1980, sob a égide de Jack
P. Greene e de Bernard Bailyn, que a Atlantic history anglo-saxónica adquiriu a
notoriedade de que hoje goza, materializada em livros, cursos e seminários, embora a
sua recepção na Europa não anglófona seja mais tardia e menos entusiástica. Trata-se
de uma corrente ou tendência historiográfica que, tomando como unidade histórica de
base o espaço atlântico, reclama uma perspectiva integradora, que contemple todos os
povos e regiões envolvidos nas dinâmicas de construção do “mundo atlântico”.
Apesar das suas ambições, a Atlantic history não conseguiu ultrapassar alguns
obstáculos epistemológicos, o que lhe mereceu várias críticas, e enfrenta múltiplos
desafios. Podemos elencar entre as críticas o facto de as perspectivas adoptadas
privilegiarem o Atlântico Norte e, em particular, o Atlântico inglês/britânico e de
ignorarem, de um modo geral, o papel dos espaços insulares ibéricos ou de África,
excepto quando se aborda o trato negreiro. De igual modo, questiona-se em que
medida é que a Atlantic history é, de facto, um campo inovador e qual é ou pode ser a
sua relação com a imperial history ou a global history. Entre os desafios, refiramos a
integração dos diversos Atlânticos historiográficos (Atlântico ibérico, Atlântico
protestante, Atlântico “vermelho”, etc.), que se articulam e misturam, conforme já
sublinharam as perspectivas das connected histories.
Não tendo a Atlantic history merecido em Portugal a atenção suficiente para gerar um
debate, neste seminário pretendemos apresentar as suas dinâmicas institucionais e
historiográficas, algumas das críticas que lhe são dirigidas e qual a sua situação na
Europa, sugerindo uma possível agenda de investigação que articule o corpus
disponível no âmbito da historiografia portuguesa com alguns dos temas mais em
destaque daquela corrente.
* Professor Auxiliar da Universidade dos Açores. Investigador integrado do Centro de História de Além-
Mar (CHAM), da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e da
Universidade dos Açores, membro do Conselho Editorial da revista Anais de História de Além-Mar,
investigador responsável pela linha de investigação “As Elites e o Império Português” e coordenador do
Núcleo da Universidade dos Açores do CHAM. As suas áreas de pesquisa incidem sobretudo na história
da expansão portuguesa, história do Atlântico, história dos Açores e história social no período moderno.
De entre as sua publicações, destacam-se São Miguel no século XVIII: casa, elites e poder (Ponta
Delgada, 2003) e, como co-editor, com Francisco José Aranda Pérez, De Re Publica Hispaniae: Una
vindicación de la cultura política en los reinos ibéricos en la primera modernidad, (Madrid, 2008).